quinta-feira, outubro 14

Professora desesperada procura para classe indisciplinada

Resumo,



A queixa mais frequente entre os professores para os profissionais de psicologia refere-se à agressividade e a bagunça dos alunos, pedido esse dos professores que faz emergir pontos importantes para um discursão mais aprofundada acerca do que seja a (in)disciplina em sala de aula.

A autora faz um relato de sua experiência em uma escola pública da cidade de São Paulo, que segundo a mesma, apesar de ter ocorrido em 1986, ainda não perdeu a atualidade. Sua abordagem na época foi subjacente a ideia do “psicólogo como agente capaz de contribuir para o rompimento de discursos institucionalmente cristalizados” (Souza, 1997,pg-101), deste modo permitindo uma abertura para o diálogo de discursos até então reprimidos.

O trabalho foi realizado em parceria com os alunos e com as professoras em três momentos. No primeiro momento foi solicitado para que os alunos expressassem de alguma forma no papel como eles sentiam a sala. O material produzido por eles foi analisado e em um segundo momento discutido junto com as professoras tal analise para o levantamento de hipóteses e uma devolutiva para os alunos. E em um terceiro momento foi realizado um trabalho de reuniões de acompanhamento com as professoras que perdurou algum tempo a mais. Esse trabalho foi realizado inclusive com uma professora que não compartilhava da mesma queixa de suas colegas de profissão, o que permitiu um produtivo contraponto no trabalho a ser desenvolvido.

Os produtos que emergiram dos relatos dos alunos de maneira geral se referem a um intelectualização da aprendizagem, onde só a racionalidade é permitida não havendo desse modo o espaço para a “brincadeira” que no contexto da escola muda de nome e significado, o lúdico se torna bagunça; e esta questão, é uma das que mais repercutiu em todo o trabalho, pois é fundamental que haja estratégias que entregam tanto o lúdico (brincadeiras) e o conteúdo escolar pra que a possibilidade de uma aprendizagem significativa ocorra seja maior.

Os outros pontos de vista também fora abordados como, o conteúdo repetitivo e maçante que muitas vezes não significa nada para o aluno; o conflito entre os gêneros feminino e masculino, onde o primeiro é sempre agredido pelo segundo, elementos este que possibilita a observação da questão do machismo e de como não se deve pensar em uma escola isolada da sociedade; a questão também do preconceito racial que é em muitos aspectos a grande causa das atitudes agressivas entre os alunos; e a questão da responsabilidade do aluno pelo o que ocorre da sala de aula, este quando não é indevidamente responsabilizado pelo mau rendimento, mau comportamento entre outros, é superestimada a sua responsabilidade.

Além desses elementos, também foi trabalhado a questão das leis internas da escola, como por exemplo, a troca ou, substituição, que em alguns casos é considerada pela autora como uma agressão ao aluno. A finalização do trabalho foi o levantamento de metas a curto, médio e longo prazo a ser tomadas pela escola, o repensar dobre as estratégias pedagógicas e de reparos técnicos.

 Paula Souza,B., Psicologia Escolar: Em busca de novos rumos